Destiny 2 (Beta): Bungie dá tiro no pé, mas ainda tem chance de surpreender!

Antes de falar do Beta de Destiny 2, preciso voltar rapidamente no tempo, mais precisamente para Dezembro de 2016. Foi quando embarquei de cabeça na poderosa aventura MMORPG criada pela Bungie. Sim, eu já conhecia Destiny, mas até então minha experiência fora superficial, sem muito envolvimento, principalmente por uma questão bem prática: dinheiro.

Eu tive o primeiro jogo em disco, mas sempre desisti de continuar explorando o universo de Destiny pois os complementos lançados com o passar dos anos eram muito caros e, como dizia um amigo meu, o jogo sem suas DLCs era o mesmo que uma Demo de luxo. Pois quando um saldão da Live ofereceu o jogo principal e todos seus complementos por menos de R$60,00, foi só uma questão de abrir a mão e finalmente embarcar nesse universo fantástico.

Ah, e como foi fácil viciar em Destiny!

Jogabilidade simples, porém muito bem balanceada, com uma infinidade de customizações e um sistema de recompensas bem estimulante. Missões, Assaltos, Incursões, Prisão dos Anciãos, Osíris, Crisol… Tem de tudo, pra todos os gostos e mais um pouco.

Mas a narrativa de Destiny não é seu forte. Nem mesmo a explanação dos elementos desse universo incrível está bem estruturada dentro do jogo. Os interessados em destrinchar as peculiaridades e minúcias sobre os guardiões, o porta-voz e mesmo o viajante precisavam recorrer ao grimório, com sites dedicados fora do ambiente do game. Nesse ponto, a Bungie podia aprender algumas coisas com a Bioware. É possível espalhar informações para o detalhamento do universo do jogo de forma bastante orgânica. Aí, fica a critério do jogador decidir se quer ou não ir a fundo enquanto joga, ou mesmo se deixa pra conferir as minúcias pela Internet.

De qualquer forma, um jogo que desperta o interesse de milhares de jogadores em conhecer mais sobre seu mundo merece aplausos, mas aprender com os erros é essencial sempre que se prepara uma sequência, não?!

Se você jogou o Beta de Destiny 2, certamente notou uma diferença bastante evidente em relação ao antecessor: a narrativa!

No primeiro jogo não existe aquela figura do chefão, o inimigo máximo que você sabe que enfrentará numa batalha final. Oryx foi um adversário memorável, mas assim como todo o resto da campanha do primeiro título, aparece de forma fragmentada e pouco integrada a um veio narrativo bem elaborado. Nesse ponto, o Beta apresenta com maestria o mais novo antagonista de toda a comunidade de guardiões:

Dominus Ghaul é o líder da Legião Vermelha, uma facção dos Cabais. Ele resolve assumir as rédeas de um ataque massivo à Última Cidade, o santuário dos guardiões, até então impenetrável. O ataque não só destrói o último porto seguro da Terra, como também termina com a captura do viajante, fonte da luz que dá poder aos defensores da humanidade.

A forma como é estruturada a primeira missão de Destiny 2 já evidencia que a Bungie ouviu o clamor dos fãs por elementos narrativos melhor elaborados. E o peso que eles ganham para os veteranos, tão acostumados a passear tranquilamente pela Torre, merece palmas! Afinal, tem algo mais terrível do que ver o inimigo destruindo nossa própria casa, o ambiente que fora um oásis no deserto de violência e incerteza que se tornou o mundo?

Momentos memoráveis se constroem pela ironia inerente ao comportamento cafajeste de Cayde-6, a postura heroica de liderança nata do comandante Zavala e os movimentos impressionantes da serena Ikora Rey. Tudo serve como tempero para o desenrolar da ação na missão que introduz a nova trama do universo de Destiny.

Assim, parece que a Campanha pensada pela Bungie certamente será um grande acerto, mesmo que continue insistindo num equívoco banal, mas fundamental para a eficiência da imersão dos jogadores: a voz do protagonista.

O erro parece compreensível, vejam só. Se a ideia é que cada um crie seu personagem da forma mais personalizada possível, uma voz predeterminada poderia quebrar essa intenção, já que seria um elemento definido previamente, certo?

Na verdade isso é um erro! E um erro sério. Um personagem que não fala só funcionaria se a jogabilidade estivesse centrada em outros elementos, não no guardião que tem raça, classe e perfil. Exemplo de como um personagem mudo pode funcionar é Forza Horizon 3. O que se controla são os carros, não o humanoide. Ele é apenas um acessório para justificar o comando dos carros, mas mesmo assim ele é batizado e o jogo oferece uma infinidade de nomes que são usados nas locuções de interação com o piloto.

A Bungie já declarou oficialmente que os guardiões não participarão ativamente dos diálogos, mantendo a fórmula de jogar para os fantasmas todo tipo de vocalização. É algo que empobrece a narrativa, uma vez que o centro das ações desencadeadas no jogo não terá uma personalidade definida, perdendo oportunidades infindáveis de conversas memoráveis ou mesmo o enriquecimento da personalidade dos guardiões.

Bola fora, mas que ainda pode ser corrigida. Mesmo que não o seja, os elementos apresentados no Beta parecem suficientes para manter o desenrolar da história intrigante, mesmo que um pouco mais pobre.

A narrativa é um acerto, e a jogabilidade também. Destiny é um sucesso também por não complicar demais nos controles (alguém aí lembra de Shadow of the Colossus?) Basicamente um FPS com elementos de RPG, as melhorias e ajustes no sistema que já funcionava bem, aliados à inclusões de alguns movimentos novos dão um certo frescor, necessário às sequências, mas mantém o que funciona, apenas acrescentando elementos que não alteram profundamente a jogabilidade. A adição de um novo especial para cada classe permite criar novas estratégias de combate, o que é bem interessante já que vai estimular os veteranos mais interessados a não recorrer apenas às estratégias calejadas do primeiro título.

 

Então resta saber se Destiny 2 terá missões, assaltos e incursões que exijam pensar fora da caixinha.

É justamente nesse ponto que o Beta escorrega. O assalto disponibilizado para teste é estruturado exatamente como qualquer outro assalto do título antecessor. Não há necessidade de se criar novas estratégias, não há estímulo para improviso, nem mesmo mecânicas mais elaboradas que sirvam como caminho certo para o sucesso na batalha. Corre-se por um mapa carregado de inimigos mais fracos até chegar ao chefe do assalto, que nada mais é do que uma esponja de tiros. Basta fugir, atirar, se esconder, atirar mais, pular, atirar mais, dar meia-volta, atirar, atirar, atirar… Faltam elementos presentes nas incursões, onde é preciso coordenar ações, pensar em mecânicas, desvendar enigmas.

O Crisol também não apresentou grandes novidades. As mudanças pareciam mais focadas em proporcionar partidas bem balanceadas, algo que o primeiro título continua lutando para alcançar com updates frequentes, muitas vezes não muito bem recebidos por aqueles que aprenderam como aproveitar das brechas e incoerências presentes em algumas armas.

*       *       *

Acho que já ficou claro que, na minha avaliação, o Beta de Destiny 2 demonstrou muita força no quesito narrativo, mas pecou em ficar na zona de conforto quanto aos principais elementos da jogabilidade. Claro que um sistema que funciona deve ser mantido, mas a Bungie não conseguiu me convencer de que esse número 2 no título seja realmente necessário. No fundo, tudo que o Beta apresentou poderia ser facilmente implementado com mais um complemento caro e pesado. É evidente que o papel do Beta é diferente de uma Demo, mas é preciso levar em conta que as versões de teste também têm papel fundamental para atrair novos jogadores. Um Beta que acaba gerando cancelamentos de pré-venda (também existe muito boicote por conta de decisões comerciais que provavelmente foram impostas pela Activision, que distribui o jogo), precisa ser revisto e usado para angariar insumos para possíveis melhorias no produto final.

Sendo bem prático: pagar R$299,00 antecipadamente por um jogo que prometia muito, mas acabou mostrando mais do mesmo, não rola.

Cancelei minha encomenda digital por conta disso. E muitas pessoas fizeram o mesmo, pelo mesmo motivo. Notem que o pacote Deluxe de Destiny 2 já inclui dois complementos futuros. Sinal de que Bungie e Activision vão manter a estratégia de lançar um jogo base com um calendário de complementos já programado. Pode até ser uma estratégia comercial que gere bastante lucro, mas eu pergunto: o que rende mais?

Aglutinar uma comunidade vasta e interessada, que atrai constantemente mais e mais jogadores, ou manter o jogo seguro de agradar quem já é fã da franquia e está disposto a pagar fortunas pra se manter atualizado?

Acredito que nesse ponto Destiny tenha muito o que aprender com Warframe.

Esse último é um Free to Play com elementos pagos, daqueles que você gasta se tiver preguiça de farmar itens. Como o jogo principal é gratuito, fica muito mais fácil angariar novos fãs que podem se mostrar propensos a gastar com microtransações no ambiente do game.

Veja bem, não estou dizendo que a Activision deveria topar distribuir Destiny 2 gratuitamente, mas encontrar um caminho do meio seria interessante. Já existem elementos pagos dentro do primeiro Destiny, mas em geral são apenas cosmética. Talvez o caminho do meio seria um preço mais atrativo para o jogo base, com complementos que não custem quase o mesmo que um jogo novo, dando opções para os menos pacientes facilitar a própria vida com microtransações que poderiam ser evitadas trabalhando para conquistar melhorias dentro do jogo.

Seria um balanceamento interessante entre os fãs de longa data e novos jogadores dispostos a se divertir sem muito esforço com o esvaziamento de seus bolsos fartos! :mrgreen:

Mas, como toda crítica, isso tudo é fruto de minha opinião.

Acredito que meu papel seja explanar como a formei, para que você então decida se concorda ou não com ela.

Acho que essa é a melhor forma de te ajudar a formar sua própria opinião.

E quando isso acontecer, por favor, volte pra nos contar!

Pra terminar, deixo registrada a decisão que tomei em relação a Destiny 2: não desisti do jogo, pelo contrário. Mas assim como aconteceu com o primeiro, vou aguardar uma boa oportunidade para adquiri-lo de forma menos onerosa.

E se no seu lançamento tudo o que pensei se mostrar equivocado, certamente vou admitir o engano e botar a mão no bolso! 😀

 

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Uma resposta para Destiny 2 (Beta): Bungie dá tiro no pé, mas ainda tem chance de surpreender!

  • Rodrigo Paranhos  diz:

    Disse tudo que eu penso do Destiny, e assim como, vc vou aguardar baixar o valor para adquirir “essa nova Dlc”.

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